Vou compartilhar uma das mais ricas experiências cinematográficas que passei nos últimos anos. Finalmente assisti A Árvore da Vida, nova obra (prima) do diretor-eremita Terrence Malick, e saí da sessão extasiado e confuso, sentindo um misto de familiaridade e estranheza.

O filme é simples, mas nunca simplista, e muito pretensioso: explicar (e mostrar) o início e o fim da vida, do universo e, principalmente, da inocência de uma criança. É através dos olhos de um dos filhos do casal de uma típica família americana dos anos cinquenta (Brad Pitt e Jessica Chastain) que conhecemos o amor, a raiva, a inveja, a insegurança, o medo e o alento. Acompanhamos essa criança por essa jornada de auto-descoberta e crescimento, onde ocorre a formação de um ego a partir da dinâmica entre um pai castrador e autoritário e uma mãe sempre benevolente e protetora. Acompanhamos esse menino através dos anos, até que ele surge na projeção personificado por Sean Penn, um adulto atormentado pela perda em meio ao caos e à grandiosidade de um mundo moderno, insípido e metálico.
Acompanhamos a formação do universo, a gênese da vida, fins e reinícios (a sequências com os dinossauros (!) particularmente me agradaram demais), nascimento e morte. E saímos da sessão satisfeitos, gratos por fazermos parte desse maravilhoso mundo que nos faz sentir tão miseravelmente pequenos.